A técnica do não julgamento tem relação com a técnica da rotulagem. Pela rotulagem, um conflito se inicia somente após se estabelecer um rótulo negativo sobre o outro. Na técnica do não julgamento, evita-se racionalizar sobre a ação do outro, a partir de sua própria concepção sobre como deveria ter sido realizado um determinado ato.
Salvo questões de ordem legal ou contratual estabelecidas, cada um pode fazer o que quiser, da maneira que bem entender, sem que isso implique em desvalia do ato por quem quer que seja.
Claro que existem melhores técnicas, formas e possibilidades para tudo. Cada uma com suas vantagens e desvantagens.
Analisar uma ação lícita e permitida do outro, sob o ponto de vista seu, não pode levar a um julgamento das condutas, a partir de sua concepção ou conhecimento. Deve-se evitar isso pois aqui também há um caminho para a instalação de conflitos.
Salvo em situações pedagógicas, onde o outro está ali para aprender e atingir o conhecimento transmitido pelo e daí ser necessária correções e ajustes mentais até se atingir ao nível técnico objetivado naquele processo de ensino e aprendizagem, nos demais casos, isso será incorreto.
Quando se arroga (daí a palavra arrogância) na vida cotidiana saber algo melhor do que o outro, gera-se uma desvalia do outro, seu afastamento e até conflitividade pela rotulagem estabelecida.
Isso geralmente é utilizado por pessoas inseguras, de ego frágil e infantilizado, o que possibilita que sua personalidade seja inflada com automanifestações de soberba, irritação e até reclamação, quanto ao modo de agir do outro.
Muitas vez, tais manifestações vem carregadas de ironia e mensagens de desprezo, somadas à necessidade de autopromoção de superioridade.
Trata-se de um mecanismo egóico de julgar o outro e colocá-lo abaixo de você. Isso deve ser evitado e quem possui tal prática, deve buscar o mais rápido possível mudar essa estrutura cognitiva negativa existente, pois quem julga também está sendo julgado por essa característica.
A profilaxia para tais ocorrências está em entender o outro, compreender o porquê de agir daquela forma. Há que se estabelecer empatia, colocar-se no lugar do outro, ver como seria com você, naquela situação. Observar também suas falhas e então, ter humildade por seus privilégios existenciais.
Daí, procurar ajudá-lo ao melhor, ensiná-lo como se faz de maneira técnica ou, quando assim for, respeitar seu modo de ser e de agir, mas nunca mais julgar a partir de sua posição.